terça-feira, 24 de novembro de 2015

Servidores da CGU teriam sido intimidados durante investigações no MA


fonte: Minard


Foto reprodução: Brasil 247



Servidores da Controladoria Geral da União (CGU) afirmam ter sofrido tentativas de intimidação durante investigação de irregularidades na Secretaria de Estado da Saúde durante a gestão de Ricardo Murad, cunhado da ex-governadora Roseana Sarney. A denúncia está no Relatório preparado pela CGU a pedido da Polícia Federal com o objetivo de investigar os desvios de R$ 1,2 bilhão dos recursos do Fundo Nacional da Saúde, no governo Roseana.

Técnicos da própria Controladoria fizeram relatos durante visita à Construtora Minerva, prestadora de serviço para a Saúde. “Em diligências efetuadas pela equipe de auditoria da CGU sofreu intimidações e forte restrição, conforme se passa a relatar. (…) Uma picape chegou ao local com três homens que também não quiseram se identificar. A partir daí a conversa foi tensa e em tom de intimidação, a ponto de provocar sensação de insegurança nos auditores”, diz o relatório.

Em outra diligência, realizada na ONG Oscip Bem Viver para esclarecer contratações e pagamentos, o relatório cita tentativa de intimidação a uma servidora durante processo de “circularização, de preços praticados e detalhes dos serviços prestados”. Também foi citada uma segunda tentativa de intimidação na empresa Minerva Construções Ltda ocorrida em 10/07/2015, no município de Imperatriz, Sudoeste do estado.

Investigações

A Operação Sermão aos Peixes, da PF, apontou que um grupo de empresas beneficiadas com dinheiro público supostamente desviados da Saúde abasteceu 61 campanhas eleitorais no Maranhão. Segundo as investigações, uma auditoria indica que o prejuízo aos cofres públicos pode chegar a R$ 114 milhões. A esposa de Murad e a filha do casal, a deputada Andrea Murad, também foram beneficiados, apontou a PF.

De acordo com as investigações, a terceirização de serviços na Saúde, sob o comando de Murad, tinha como objetivo a fuga dos controles da lei de licitação, facilitando o desvio de verba pública. Duas entidades não governamentais contratadas pela Secretaria de Saúde do Maranhão para gerir unidades hospitalares do Estado, o ICN (Instituto Cidadania e Natureza) e a Bem Viver, contrataram, sem licitação, inúmeras empresas para serviços terceirizados.

A Justiça Federal apreendeu o passaporte do ex-secretário de Saúde do Maranhão Ricardo Murad (PMDB). A pedido da Polícia Federal, o juiz federal Roberto Veloso também proibiu o cunhado da ex-governadora Roseana Sarney de deixar a capital do estado, São Luís. O peemedebista nega as acusações.
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